Com estande próprio, visitantes poderão conhecer a pesquisa e entender a articulação entre ciência, cuidado e organização social
Visitantes do III Festival do Cerrado poderão conhecer como a Cannabis dialoga com a universidade por meio do Projeto Ó Cannabis, desenvolvido pela pesquisadoras e coordenadoras Giuliana Vila Verde, que também é uma das curadoras científicas do festival e Roberta Passini, em parceria com a associação SouCannabis. O evento acontece entre os dias 10 e 12 de setembro, na UEG (Universidade Estadual de Goiás), campus Cora Coralina, na cidade de Goiás (GO).
Organizado pela universidade, por meio dos Programas de Pós-Graduação em Geografia e em Estudos Culturais, Memórias e Patrimônios, além do TECCER (Territórios e Expressões Culturais no Cerrado), o Festival promove, desde sua primeira edição, a integração entre pesquisadores, comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, gestores públicos e sociedade civil em torno da preservação e valorização do Cerrado como bioma, território e expressão cultural.
Durante a programação, nos dias 10 e 11 de setembro, pesquisadoras da UEG envolvidas no desenvolvimento da pesquisa com Cannabis, realizada com apoio da FAPEG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás) e em parceria com a SouCannabis, estarão em um estande apresentando o projeto ao público.
“Teremos um espaço de exposição onde vamos contar sobre esse entrelace acadêmico e social que culminou no projeto Tem cheiro de mato: Ó Cannabis. Nosso objetivo é dar visibilidade ao projeto e demonstrar a articulação entre ciência, território, saberes, cuidado e organização social. É a partir da experiência da associação SouCannabis que conseguimos demonstrar como esse conhecimento ganha concretude na vida das pessoas. Quem visitar a exposição poderá conhecer melhor o projeto e a SouCannabis por meio da conversa com os integrantes e do material informativo disponível”, explica a pesquisadora Giuliana Vila Verde.
Segundo Giuliana, a escolha da SouCannabis como parceira está relacionada à experiência da associação com um modelo de cuidado baseado no uso terapêutico da Cannabis e ao trabalho desenvolvido em diferentes territórios do estado de Goiás.
“Eu entendo a Universidade Estadual de Goiás como uma instituição que abre caminhos quando acolhe a pesquisa com Cannabis medicinal e a SouCannabis como uma co-executora importante do projeto, que é financiado pela FAPEG. Ou seja, a associação passa a ter esse reconhecimento científico por parte do Estado”, pontua a pesquisadora.
Ciência, experiência e conhecimento compartilhado
Até o ano passado, quando o projeto foi oficialmente aprovado pela FAPEG, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não havia publicado as novas resoluções que regulamentam o cultivo de Cannabis para diferentes finalidades no Brasil. Entre as novas normas está a RDC 1015, específica para o cultivo destinado à pesquisa.
Mesmo com as novas resoluções já aprovadas, os cultivos para fins de pesquisa dependem de processos de autorização. Diante desse cenário, para viabilizar o desenvolvimento da pesquisa, um paciente autorizado judicialmente por meio de Habeas Corpus disponibiliza parte da matéria-prima utilizada no projeto, as flores de Cannabis. A SouCannabis, por sua vez, contribui com sua experiência para a padronização dos métodos de extração a partir desse material.
“A SouCannabis, com toda sua experiência conquistada ao longo de anos de pesquisa e trabalho de cuidado com seus pacientes, é de extrema importância para elaborarmos a padronização dos métodos de extração de Cannabis de forma doméstica. Assim, estamos validando um método que poderá ser compartilhado para que os pacientes tenham mais autonomia para produzir seu medicamento à base de Cannabis com segurança”, detalha Giuliana.
Há mais de cinco anos, a SouCannabis acolhe e acompanha pessoas de diferentes regiões do Brasil que buscam iniciar um tratamento com Cannabis. O trabalho da associação envolve acolhimento, orientação, acompanhamento multiprofissional e acesso a produtos derivados da planta, com foco em cuidado e qualidade de vida.
“Essa parceria reforça o quanto o associativismo canábico é comprometido com a ciência e com a saúde pública. Estamos há anos produzindo conhecimento, acompanhando pacientes e contribuindo para melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas. É papel do Estado reconhecer e valorizar o movimento associativo, que sempre esteve ao lado de quem mais precisa: dos pacientes, das pessoas”, destaca Mariana Paulino Dourado, assistente social da SouCannabis.

O resultado da parceria entre a SouCannabis e a UEG, por meio do Projeto Ó Cannabis, será a elaboração de um Manual de Boas Práticas, com o objetivo de sistematizar conhecimentos e oferecer parâmetros mais seguros para a produção doméstica de extratos de Cannabis.
A iniciativa aproxima universidade pública, conhecimento científico e experiência associativa, colocando diferentes saberes em diálogo para produzir conhecimento que possa contribuir diretamente para a vida dos pacientes.
“O que a gente quer no Festival do Cerrado é levar esse entrelace da ciência que se faz na associação, na cozinha de uma mãe desesperada pela saúde do seu filho e no laboratório de uma universidade”, defende a pesquisadora.
Para informações sobre o evento: https://festivaldocerrado.com/
