A SouCannabis vem a público prestar esclarecimentos sobre os acontecimentos recentes que envolveram o presidente da associação, Derick Rezende, e que repercutiram em veículos de comunicação e nas redes sociais.
Diante da circulação de informações e manifestações públicas de apoio, entendemos ser necessário apresentar uma contextualização clara, responsável e transparente dos fatos, não apenas aos nossos associados e familiares, mas também à sociedade em geral.
Continuidade do atendimento e compromisso institucional da SouCannabis
Antes de qualquer detalhe sobre o ocorrido, reforçamos que as atividades da SouCannabis seguem normalmente.
Todos os serviços de acolhimento, acompanhamento e suporte aos associados continuam ativos e inalterados. Nosso compromisso central permanece sendo o cuidado com as pessoas que utilizam a cannabis como ferramenta terapêutica, sempre dentro dos parâmetros legais e com acompanhamento responsável.
Entendendo o caso
No dia 07 de maio de 2026, retornando de São Paulo para sua residência, o presidente da associação, acompanhado do filho de 13 anos e de um amigo, este último convidado para revezar a direção em razão da viagem longa, foi abordado por policiais militares do Comando de Operações de Divisa (COD), especificamente na zona rural do município de Itumbiara/GO, ocasião na qual transportava 52 plantas em bandeja de germinação e 23 gramas de inflorescência seca.
Na audiência de custódia, a juíza responsável pelo caso considerou ilegal a prisão de Derick, por entender que a abordagem contrariou uma decisão da Justiça Federal que autorizava o transporte da quantidade de cannabis apreendida. A magistrada determinou a imediata soltura de Derick, a devolução dos materiais apreendidos e o envio de ofício à Corregedoria da Polícia Militar para apuração da atuação dos agentes.
Coincidentemente, ou não, no dia 25 de maio de 2026, o presidente da associação teve sua residência invadida por policiais civis da DENARC/Goiânia, sob a alegação inicial de estarem buscando um foragido da justiça e, posteriormente, com o argumento de que a investigação estaria relacionada a supostas denúncias de tráfico de drogas.
Tais denúncias nunca foram apresentadas e possivelmente sequer existem. A abordagem ocorreu sem apresentação de mandado judicial e foi acompanhada da condução de outras quatro pessoas.
O presidente da associação possui um salvo-conduto (habeas corpus) expedido pela Justiça Federal de Anápolis (GO), que impede a polícia de agir contra o cultivo das plantas e de seus derivados para fins terapêuticos.
“As autoridades policiais e fiscalizatórias se abstenham de apreender ou destruir quaisquer medicamentos, óleos, extratos, cápsulas, pomadas, tinturas, inflorescências, folhas ou outros insumos derivados da planta Cannabis sativa, bem como adotar qualquer medida que importe em restrição à liberdade do paciente, ou em apreensão e/ou destruição das plantas e derivados da Cannabis sativa utilizados para fins terapêuticos”, trecho extraído salvo-conduto expedido pela Justiça Federal de Anápolis (GO)
Na ocasião da abordagem, os aparelhos celulares dos cinco conduzidos foram recolhidos, sendo impedidos de se comunicarem com os advogados, os quais somente foram acionados após a apreensão de todos os materiais, oitiva na delegacia e condução dos envolvidos de Anápolis até a cidade de Goiânia (aproximadamente 85km do local do flagrante).
Atuação da defesa e decisões judiciais
Após a intervenção cirúrgica da defesa técnica encabeçada pelos Drs. Jamil Issy e Matteus Jacarandá, atualmente nenhum acusado encontra-se preso.
Ao analisar o caso, a Justiça reconheceu as irregularidades apontadas pela defesa na atuação policial e declarou nulo o ingresso dos agentes no imóvel por ter ocorrido sem mandado judicial.
Foi determinado, ainda, a expedição de ofícios à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Anápolis e à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de Goiás, para ciência dos fatos e apuração de eventual reiteração de descumprimento de ordem judicial federal.
Também foi encaminhada, igualmente, a remessa de cópia do processo à Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Anápolis, para distribuição a uma das Promotorias de Controle Externo da Atividade Policial, a fim de que sejam adotadas as providências reputadas cabíveis, conforme requerido pelo Ministério Público.
A defesa contestou informações divulgadas por alguns veículos de imprensa, especialmente a caracterização do local como um laboratório de produção de drogas e a classificação das plantas apreendidas. Segundo os advogados, o laudo pericial da Polícia Civil não apresentou quantificação de THC.
A prisão do Dérick não passa de uma tentativa de manchar a reputação de uma pessoa íntegra que há mais de uma década se dedica a auxiliar, dentro da legalidade, aqueles que precisam de tratamento com cannabis.
Cobertura midiática e direito à informação
O caso ganhou repercussão em veículos de comunicação da região do Estado de Goiás, onde reside o presidente, com diferentes abordagens editoriais.
A SouCannabis reconhece a importância da imprensa no debate público, mas reforça a necessidade de responsabilidade na apuração e na divulgação de informações, especialmente em contextos que envolvem decisões judiciais e temas sensíveis como saúde e direitos fundamentais.
O papel das associações de pacientes
O episódio também reacende um debate mais amplo sobre o papel das associações de pacientes no Brasil. Essas organizações atuam há anos na promoção do acesso a tratamentos com cannabis medicinal, oferecendo suporte a pessoas que buscam alternativas terapêuticas amparadas por acompanhamento profissional e decisões judiciais.
Trata-se de um campo ainda em consolidação, que envolve aspectos legais, sanitários e sociais e que frequentemente enfrenta desafios regulatórios e diferentes interpretações, em um contexto histórico de longa restrição ao uso da planta.
Considerações finais da SouCannabis
A SouCannabis reafirma seu compromisso com a transparência, com a legalidade e, sobretudo, com o cuidado às pessoas que confiam em nosso trabalho.
Seguiremos atuando de forma responsável, dentro dos limites legais e com foco no acolhimento e no bem-estar dos pacientes.
Agradecemos todas as manifestações de apoio recebidas e reforçamos que seguimos à disposição da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais.
SouCannabis, da raiz à essência.
