Pular para o conteúdo
Início » Notícias » Tratamento com Cannabis: o que a ciência revela sobre CBN, CBG e CBC

Tratamento com Cannabis: o que a ciência revela sobre CBN, CBG e CBC

o potencial terapêutico dos canabinóides CBG, CBN e CBC no tratamento com cannabis

Conheça os canabinóides minoritários, seus possíveis benefícios para a saúde e o que as pesquisas científicas já descobriram sobre suas aplicações terapêuticas.

 

O tratamento com Cannabis é conhecido principalmente pelo uso de produtos com diferentes concentrações de THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol), dois de seus compostos mais estudados. No entanto, a planta produz mais de uma centena de outros canabinóides, que vêm despertando o interesse da comunidade científica por suas possíveis aplicações terapêuticas.

 

Entre eles, três se destacam nas pesquisas: o CBN (canabinol), o CBG (canabigerol) e o CBC (canabicromeno). Estudos investigam suas propriedades relacionadas ao sono, à ansiedade, à inflamação, à dor e à proteção das células nervosas.

 

Embora os resultados sejam promissores, é importante compreender o estágio dessas pesquisas: enquanto alguns estudos já avaliaram efeitos em seres humanos, boa parte das evidências sobre esses compostos ainda vem de experimentos com animais e células em laboratório.

 

Tratamento com Cannabis: o que são os canabinóides minoritários?

 

Os canabinóides são substâncias produzidas pela planta Cannabis que interagem com o SEC (sistema endocanabinóide). Esse sistema participa da regulação de processos como percepção da dor, sono, apetite e resposta inflamatória.

 

O THC e o CBD são os canabinóides mais conhecidos, mas não são os únicos com potencial terapêutico. Compostos como CBN, CBG e CBC apresentam características químicas e farmacológicas próprias, o que significa que podem produzir efeitos diferentes no organismo.

 

Uma revisão científica publicada de 2021, intitulada Minor Cannabinoids: Biosynthesis, Molecular Pharmacology and Potential Therapeutic Uses, reuniu conhecimentos sobre a formação, os mecanismos de ação e as possíveis aplicações médicas desses compostos.

 

O trabalho destaca que os canabinóides minoritários podem interagir com diferentes receptores e canais celulares. Entretanto, os mecanismos envolvidos e a relevância clínica de muitos desses efeitos ainda precisam ser esclarecidos.

 

“Estudos demonstram que eles atuam como agonistas e antagonistas em múltiplos alvos, incluindo receptores CB1 e CB2. A ativação resultante de múltiplas vias de sinalização celular, combinada com sua possível atividade sinérgica, fornece uma base mecanística para suas ações terapêuticas. Relatos clínicos iniciais sugerem que esses canabinóides podem apresentar benefícios potenciais no tratamento de dor neuropática, doenças neurodegenerativas, epilepsia, câncer e distúrbios dermatológicos”, trecho extraído do assunto da pesquisa. 

 

CBN no tratamento com Cannabis: o que as pesquisas revelam sobre o sono?

 

O CBN, ou canabinol, é um composto que pode se formar a partir da transformação e oxidação do THC. Ele ganhou popularidade no mercado de produtos à base de Cannabis por sua associação com o sono, mas a pergunta científica é: o que os estudos realmente demonstram?

 

CBN e qualidade do sono: resultados de estudos clínicos.

 

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado em 2024, avaliou 293 participantes que relataram ter uma qualidade de sono ruim. Durante sete noites, os participantes receberam placebo, CBN isolado ou combinações de CBN com diferentes doses de CBD.

 

Os resultados indicaram que 20 mg de CBN por noite reduziram o número de despertares noturnos e a perturbação geral do sono em comparação com o placebo. Entretanto, não houve diferença significativa no tempo necessário para adormecer, no tempo acordado durante a noite ou na fadiga diurna. A melhora no desfecho principal da qualidade do sono também não atingiu significância estatística.

 

Esses resultados sugerem um possível benefício para pessoas que despertam repetidamente durante a noite, mas não comprovam que o CBN seja um tratamento eficaz para todos os tipos de insônia.

 

CBN e insônia: quais são os limites das evidências?

 

Em 2026, um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo investigou os efeitos de doses únicas de 30 mg e 300 mg de CBN em 20 adultos com diagnóstico de insônia.

 

A dose de 300 mg apresentou resultados favoráveis em alguns indicadores: os participantes relataram melhor qualidade do sono, demoraram menos para adormecer e tiveram aumento de uma fase específica do sono não REM. No entanto, o CBN não reduziu significativamente o tempo total acordado após o início do sono, que era o desfecho principal do estudo.

 

A pesquisa é relevante porque avaliou pessoas com insônia diagnosticada e utilizou polissonografia, exame que monitora diferentes parâmetros do sono. Por outro lado, o número reduzido de participantes e a avaliação de apenas uma noite de tratamento impedem conclusões definitivas sobre eficácia e segurança a longo prazo.

 

O CBN é, portanto, um dos canabinóides minoritários com evidências clínicas emergentes para o sono. Ainda são necessários estudos maiores e mais longos para determinar quais pacientes podem se beneficiar, quais doses são apropriadas e quais são os riscos do uso continuado.

 

Receba nosso acolhimento
Clique na imagem para conversar com nossa equipe de acolhimento para saber como começar um tratamento com cannabis.

 

CBG no tratamento com Cannabis: possíveis benefícios para ansiedade e inflamação.

 

O CBG, ou canabigerol, é conhecido como um composto precursor na formação de diferentes famílias de canabinóides. Na planta, sua forma ácida, o CBGA, participa de rotas bioquímicas que levam à produção de outros compostos, incluindo THC, CBD e CBC.

 

O interesse científico pelo CBG envolve principalmente seus possíveis efeitos sobre ansiedade, estresse, inflamação e dor.

 

CBG e ansiedade: o que os estudos em seres humanos encontraram?

 

Em 2024, pesquisadores publicaram um estudo duplo-cego, controlado por placebo e cruzado, no qual 34 adultos saudáveis receberam uma dose de 20 mg de CBG derivado do cânhamo ou placebo, em sessões diferentes.

 

Os resultados apontaram redução aguda dos relatos de ansiedade e estresse após a administração do CBG. Os pesquisadores também observaram um resultado favorável em uma tarefa de memória verbal, sem evidências de prejuízo cognitivo ou motor nas avaliações realizadas.

 

Apesar dos resultados interessantes, o estudo teve uma amostra pequena, avaliou adultos saudáveis e investigou efeitos de curto prazo. Portanto, não demonstra que o CBG trate transtornos de ansiedade ou depressão, nem permite concluir que os mesmos efeitos ocorram em pessoas com diagnósticos psiquiátricos.

 

CBG e inflamação intestinal: resultados de pesquisas experimentais.

 

Outra linha de pesquisa investiga o potencial anti-inflamatório do CBG. Em um estudo publicado em 2013, pesquisadores avaliaram o composto em um modelo experimental de colite em camundongos.

 

Os resultados mostraram redução de indicadores de inflamação intestinal e de determinados marcadores associados ao estresse oxidativo. Os autores apontaram que os achados justificavam novas investigações clínicas.

 

Esse tipo de resultado ajuda a compreender mecanismos biológicos e a formular hipóteses terapêuticas. Contudo, a melhora observada em animais não significa que o CBG tenha eficácia comprovada contra doenças inflamatórias intestinais em seres humanos.

 

Quais são as aplicações terapêuticas investigadas para o CBG?

 

Com base nas pesquisas disponíveis, as principais áreas de investigação incluem:

 

Ansiedade e estresse: resultados preliminares favoráveis em um pequeno estudo com adultos saudáveis.

Inflamação intestinal: efeitos promissores em modelos experimentais de colite.

Dor: pesquisas pré-clínicas investigam mecanismos relacionados à redução da percepção dolorosa.

Neuroproteção: estudos experimentais avaliam possíveis efeitos sobre células nervosas e modelos de doenças neurodegenerativas.

 

Essas áreas representam linhas de investigação, e não uma lista de indicações clínicas já estabelecidas para o CBG isolado.

 

CBC no tratamento com Cannabis: pesquisas sobre dor e inflamação.

 

O CBC, ou canabicromeno, é outro canabinóide minoritário que vem ganhando atenção. Embora seja menos conhecido pelo público, estudos laboratoriais e pré-clínicos investigam sua interação com receptores e canais envolvidos na sinalização celular, incluindo mecanismos relacionados à dor e à inflamação.

 

Uma revisão publicada em 2024 no Journal of Pharmacology and Experimental Therapeutics analisou o que se sabe sobre a farmacologia, o metabolismo e o potencial terapêutico do CBC.

 

Os autores identificaram pesquisas que sugerem possíveis efeitos analgésicos,  antibacterianos e anticonvulsivantes. Ao mesmo tempo, destacaram que faltam estudos clínicos capazes de estabelecer sua eficácia e segurança para essas finalidades.

 

CBC e dor: o que os estudos científicos indicam?

 

A pesquisa sobre o CBC inclui experimentos que avaliam sua ação sobre canais celulares envolvidos na percepção da dor e sobre mecanismos ligados à resposta inflamatória.

 

Um estudo publicado em 2025 investigou diferentes canabinóides não intoxicantes, isolados e combinados, em um modelo experimental de hipersensibilidade visceral associada à colite em camundongos. Os resultados apontaram redução da sensibilidade visceral com CBG e com uma combinação de compostos que incluía CBC, CBD e CBDV.

 

Esse resultado é relevante para a investigação da dor abdominal associada a doenças inflamatórias intestinais. Entretanto, como o estudo foi realizado em animais, não permite afirmar que o CBC seja eficaz para tratar dor abdominal ou doença inflamatória intestinal em seres humanos.

 

CBC e atividade anticonvulsivante: o que ainda precisa ser investigado?

 

A atividade anticonvulsivante do CBC também aparece na literatura pré-clínica. Uma revisão sistemática publicada em 2020 sobre canabinóides minoritários e neuroproteção reuniu estudos que investigaram diferentes compostos, incluindo CBC e CBG, em modelos de doenças neurológicas.

 

Os resultados indicaram potencial para novas investigações, mas a quantidade limitada de estudos e a predominância de experimentos com animais dificultam a tradução desses achados para tratamentos clínicos.

 

Assim, dor, inflamação e atividade anticonvulsivante são áreas de interesse para o CBC, mas ainda não constituem indicações terapêuticas comprovadas para o composto isolado.

 

CBN, CBG e CBC: quais são os possíveis benefícios no tratamento com Cannabis?

 

As pesquisas sugerem possibilidades diferentes para cada composto. A tabela resume as principais linhas de investigação e o estágio geral das evidências disponíveis.

 

Canabinóide Áreas investigadas Situação das evidências
CBN Qualidade do sono, despertares noturnos e insônia Há ensaios clínicos iniciais em seres humanos, com resultados promissores em alguns parâmetros, mas ainda inconclusivos para tratar a insônia.
CBG Ansiedade, estresse, inflamação intestinal, dor e neuroproteção Há um pequeno estudo humano sobre ansiedade e estresse; várias outras aplicações permanecem em fase pré-clínica.
CBC Dor, inflamação e atividade anticonvulsivante Evidências predominantemente laboratoriais e pré-clínicas; são necessários estudos clínicos específicos.

 

A diferença entre esses compostos reforça um ponto importante: não existe um único perfil terapêutico que possa ser atribuído a todos os canabinóides. Cada substância precisa ser estudada individualmente, considerando dose, via de administração, composição do produto, possíveis interações e características de cada paciente.

 

O efeito comitiva no tratamento com Cannabis: os canabinóides podem atuar em conjunto?

 

Além de estudar cada composto isoladamente, pesquisadores investigam se diferentes substâncias da Cannabis podem produzir efeitos complementares quando administradas em conjunto. Essa hipótese é frequentemente chamada de efeito comitiva.

 

A ideia é que canabinóides, terpenos e outros componentes da planta possam interagir entre si e modificar seus efeitos biológicos. Contudo, a existência e a relevância clínica dessas interações variam conforme a combinação, a dose, a condição estudada e a formulação utilizada.

 

Por isso, a composição de um produto deve ser considerada de forma individualizada, sem presumir que uma maior quantidade de canabinóides ou uma mistura mais complexa seja necessariamente mais eficaz.

 

Tratamento com Cannabis: cuidados, segurança e evidências científicas.

 

O crescente interesse por CBN, CBG e CBC também traz a necessidade de cuidado com promessas comerciais. A presença de um composto em um produto não comprova, por si só, que ele seja eficaz para determinada condição.

 

Entre os pontos que precisam ser considerados estão:

 

Evidência clínica: resultados de laboratório ou de estudos com animais não equivalem à comprovação de benefício em seres humanos.

Dose e formulação: os efeitos observados em uma pesquisa não podem ser automaticamente reproduzidos com qualquer produto comercial.

Segurança e interações: ainda são necessários dados sobre efeitos adversos, uso prolongado e interação com outros medicamentos.

Qualidade do produto: composição, concentração, pureza e controle de contaminantes são fatores importantes para a segurança.

Acompanhamento profissional: a escolha de uma terapia canabinóide deve considerar a condição clínica, os tratamentos em andamento e a resposta individual.

 

Esses cuidados são especialmente importantes porque produtos comercializados como fontes de canabinóides minoritários podem apresentar diferentes concentrações e combinações de substâncias, nem sempre respaldadas por estudos clínicos específicos.

 

O futuro dos canabinóides minoritários no tratamento com Cannabis.

 

CBN, CBG e CBC ampliam as possibilidades de investigação científica sobre a Cannabis e seus compostos. Os estudos disponíveis já oferecem pistas sobre mecanismos relacionados ao sono, à ansiedade, à inflamação e à dor, mas também mostram o quanto ainda falta compreender.

 

Entre os três, o CBN conta com ensaios clínicos iniciais voltados ao sono, o CBG apresenta resultados preliminares em seres humanos para ansiedade e estresse e o CBC permanece mais dependente de evidências laboratoriais e pré-clínicas para suas possíveis aplicações terapêuticas.

 

O avanço desse campo depende de estudos clínicos maiores, com acompanhamento prolongado, doses bem definidas e avaliação cuidadosa de eficácia e segurança. Esse conhecimento será fundamental para determinar quais compostos podem beneficiar quais pacientes e em quais condições.

 

Quer iniciar um tratamento com produtos à base de canabinóides como CBN, CBG e CBC? O acolhimento da SouCannabis pode ajudar a entender os caminhos possíveis. Clique aqui e fale com nosso acolhimento.

 

 

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *