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Cannabis no esporte continua proibida pela WADA

Agência antidoping não reconhece os benefícios do THC e da cannabis no esporte

A WADA, agência mundial antidoping, manteve proibida a cannabis no esporte e o THC na lista de substâncias proibidas nos resultados dos exames de 2023.

A comissão executiva da agência vincula a cannabis ao THC. Para a comissão, a substância oferece risco à saúde neutrológica dos atletas. 

Tal decisão contraria o que os estudos e pesquisas realizadas com atletas, tanto profissionais como amadores, revelam: a cannabis é uma aliada do esporte.

Seja para melhorar a performance, combater os processos inflamatórios, lesões, insônia ou controlar a ansiedade e o estresse, a cannabis é uma ferramenta que auxilia o atleta.

Por que a cannabis no esporte funciona?

O que explica os benefícios da cannabis em diversos tratamentos é a presença do SEC – Sistema Endocannabinoide.

Descoberto ainda na década de 90 o SEC, que está espalhado em todo corpo, se revelou responsável por promover o equilíbrio de todos os outros sistemas vitais.

As propriedades terapêuticas da cannabis estão presentes nos canabinoides, nos terpenos e nos flavonoides da planta, que de forma integral se conectam ao SEC.

Como resultado dessa interação orgânica, temos a homeostase das funções vitais como um todo.

Quais partes da cannabis são utilizadas?

As flores da cannabis são revestidas de uma resina onde se concentram as propriedades terapêuticas da planta. 

A potência terapêutica da planta está em mais  de 500 compostos químicos distribuídos entre cannabinoides, terpenos e flavonoides, presentes na resina das flores de cannabis.

A ciêrncia aprofundou os estudos nos cannabinoides, principalmente CBD e THC. Mas, existem tantos outros como CBN, CBG, além dos terpenos e flavonoides, que também têm poder terapêutico.

O corpo humano aproveita melhor os benefícios da planta quando a cannabis se consume de forma integral, ou seja, com todos os compostos químicos ali presentes e não de forma isolada.

“Quando usamos um produto integral da planta, mas com dosagens controladas entre THC e CBD o resultado final é surpreendente”, destaca Dr. Jimmy Rocha, médico ortopedista especialista em tratamento com cannabis.

Variações do THC: Delta 8 e Delta 9

Por seu efeito psicoativo, o THC, é administrado em dosagens menores, porém a presença dele no tratamento é muito importante, pois ele provoca reações que intensificam o resultado.

As pesquisas mais recentes quanto ao uso do THC apontam que a variação conhecida como Delta-8-THC apresenta efeitos terapêuticos importantes, porém com o efeito psicoativo reduzido, se comparado ao Delta-9-THC. Por isso, tem sido indicado.

Por ter uma estrutura molecular mais estável, o Delta-8-THC permanece no corpo por mais tempo, ou seja, o atleta consegue ter um efeito prolongado dos seus benefícios, como por exemplo alívio da dor, concentração e controle da ansiedade. 

Com esse combo de vantagens, o atleta consegue desempenhar um bom treino e com alto rendimento. Porém, é preciso estar atento. 

“Justamente por aliviar a dor e melhorar a concentração, o atleta pode acabar excedendo a intensidade do treino e se lesionar, por isso é muito importante acompanhar como a pessoa responde ao tratamento para chegar na composição e dosagem ideal”, reforça Dr. Jimmy.

Quais as formas de uso da cannabis?

A prescrição médica quase sempre indica o uso do óleo de cannabis por ingestão, que pode ser por óleos, cápsulas ou na forma comestível, como balas.

Para uso tópico existem as pomadas e os cremes que são muito eficientes para regeneração muscular, principalmente pós treino.

Os gummies, balinhas com CBD, são uma nova aposta das empresas que produzem produtos à base de cannabis.

“Com a ingestão do óleo conseguimos otimizar alguns pontos: o tipo da substância,  se é um óleo com mais THC ou CBD; o tempo de duração, que pode chegar até 12 horas e a dosificação, sabemos exatamente quantas gotas cada atleta está tomando para conseguir tal resultado”, explica Dr Pedro Mello, médico prescritor de cannabis e fundador da @clicnicacbdoctor e da @CBDSport.

Tratamento individualizado

Ainda que a cannabis consiga tratar diversas doenças, ela não faz milagre. Quando se combinam outras técnicas terapêuticas os resultados são mais intensos e eficientes.

“O tratamento com a cannabis é uma oportunidade de mudar o estilo de vida. Exige dedicação e acompanhamento, mas os resultados são incríveis, tanto na parte física como mental. Eu abandonei uma série de analgésicos, anti-inflamatórios, suplementos que eu era dependente. Com uma boa nutrição, meditação, rotina de treinos e cannabis minha qualidade de vida mudou muito”, explica Fernando.

Seguir com um médico que acompanha cada evolução do paciente no tratamento é fundamental, afinal, cada pessoa tem uma resposta ao tipo de óleo, à dosagem, à frequência e à rotina. 

“Cada corpo vai metabolizar de uma maneira específica os cannabinoides. Os testes genéticos são uma alternativa que aponta qual a quantidade precisa de cada cannabinoide o atleta vai usar e como ele metaboliza. Isso possibilita, inclusive, saber quanto tempo antes da prova temos que mudar os cannabinoides para não cair no dopping”, revela Dr. Jimmy.

Benefícios da cannabis no esporte para atletas

As vantagens que o atleta alcança com o uso da planta tem se tornado um dos pilares das pesquisas sobre o uso medicinal da cannabis.

Um dos médicos que estuda a fundo essa linha é o ortopedista Dr Jimmy Fardin Rocha.

Ele começou a usar a cannabis pessoalmente para controle da ansiedade. Como os resultados foram positivos, acabou se especializando no assunto e passou a prescrever  aos seus pacientes, entre eles, alguns atletas.

A lista de medicamentos que ele costumava indicar, anti-inflamatórios, analgésicos, opióides, aos poucos foi sendo substituída pelo uso quase que exclusivo dos produtos à base de cannabis. Ou seja, a planta funciona.

“A cannabis mostra que a dinâmica do corpo humano não é prática e direcionada, isso por conta do SEC, que é amplo e generalizado no corpo humano, por isso traz resultados em em diversos campos de atuação”, explica Dr Jimmy.

O que os atletas dizem sobre a Cannabis?

Os atletas profissionais e amadores, podem se beneficiar do uso da cannabis para melhorar seus treinamentos e consequentemente, a performance de seu desempenho.

A planta começou a ser utilizada no meio esportivo, principalmente indicada para dores musculares, lesões, crises de ansiedade e insônia.

“Pratico esporte desde muito novo e sempre em ritmo de alta performance voltado para competição. Isso gera um desgaste do corpo. No meu caso, foi fundamental para regeneração muscular, combater processos inflamatórios, fadiga e melhorar a qualidade do sono” compartilha Fernando Paternostro, atleta profissional e empresário.

Satisfeito com os resultados que estava vivenciando com o tratamento, Fernando criou no Brasil a primeira plataforma digital para informar sobre os benefícios da cannabis no meio esportivo, a página @atletacannabis.

Ao lado de outros atletas, entre eles Peu Guimarães, tem sido monitorado em seus treinamentos, por médicos e especialistas da saúde, que seguem protocolos para avaliar os resultados, medindo dosagem, composição das medicações, tipo de uso e frequência.

“Antes de começar a usar a cannabis eu chegava a acordar de hora em hora por causa de dores. Cinco dias depois que comecei a administrar o óleo, dormi seis horas seguidas. Foi restaurador. Desse momento em diante adotei a planta e sigo com ela”, relata Peu.

Paratletas aprovam a planta

Outro nicho de atletas que segue aprovando o uso da cannabis são os paratletas, aqueles que têm algum grau de deficiência.

Susana Schnardorf, convidada a compartilhar sua história no Congresso de Cannabis Medicinal, é um exemplo. 

Uma nadadora olímpica brasileira que aos 37 anos foi diagnosticada com uma rara doença degenerativa chamada Atrofia dos Múltiplos Sistemas.

Depois de quase 10 anos de tratamento convencional, Susana resolveu apostar sua esperança no tratamento com Cannabis e sentiu uma diferença enorme na sua qualidade de vida. 

“A cannabis não vai curar a doença, mas ajuda a controlar o avanço e os sintomas. Hoje eu consigo dormir , tenho menos dor e crises de ansiedade. Pra mim melhorou tudo. Se eu fico um dia sem tomar eu já sinto diferença no meu corpo”, confessa.




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